Maciel's Blog

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E se Deus fosse um gerente de projetos?

Posted by eduardormaciel on July 9, 2009

Acredito nesta hipótese.

Imaginem a seguinte situação narrada na Biblia:

“Acordou o todo poderoso em uma manhã sombria (pois a luz ainda não existia), recebeu do sponsor o Project Charter da Criação do Universo e incansavelmente pôs-se a trabalhar.

Projeto de 7 dias. Fácil.

Objetivos: criar tudo! Do NADA ao TUDO.

Porque foi fácil? A resposta também é fácil: Não haviam Stakeholders! E sem stakeholders, sem mudanças também!

Com todo o poder que ele tinha, foi só piscar os olhos e sair criando o Universo. Mas não havia ninguém a quem agradar(ou desagradar). Bem, ainda me pergunto quem foi o Sponsor, mas isto não importa. O importante é que ele fez.

Se deparou com a primeira mudança de escopo ao criar Adão – o primeiro Stakeholder.

Sim! Ou melhor, Não! A mulher não fazia parte da definição original do escopo. Ao criar o primeiro stakeholder, Deus criou também a complexidade na gestão de projetos.

Adão: “Ó Senhor, todo poderoso que me deu a vida e todas as coisas deste mundo, suplico-te: dá-me companhia e alguém para partilhar as alegrias deste paraíso.”

Querem prova maior que contentar stakeholders não é fácil???

Mas Deus foi sábio e, para limitar as requisições de Adão, apresentou as constraints: Prazo, Custo e Escopo.

Sobre o Prazo, Deus disse: “Adão meu filho, criado a minha imagem e semelhança e que sozinho anda pelo paraíso: O prazo é fixo! Não posso atrasar meu projeto. Isto seria inaceitável para o todo poderoso. O que iriam dizer sobre mim? E minha avaliação de performance?”

Sobre o Custo e o Escopo: “Adão, minha mais perfeita criatura e que deseja companhia, o custo is up to you! E o Escopo é limitado pelo Prazo e pelo Custo. Diga-me quanto queres gastar que lhe direi o que posso fazer com o tempo que disponho.”

E da costela de Adão, Deus fez Eva.

E foi uma ótima mudança de escopo eu diria. O que seria do mundo sem as mulheres?

Mas voltando a história, vejam o quão importante é o controle integrado de mudanças.

Deus foi tão eficiente que, em um projeto que tinha tudo para dar errado, ele adiantou o cronograma e descansou no último dia. Para tal ele teve que saber gerenciar os stakeholders – um aparte: alguém já se perguntou como deve ter sido a requisição original de Adão sobre como deveria ser Eva??? Melhor os homens nem pensarem sobre isso – Deus também teve que lidar com EVA e do alto de sua onipotência(*) soube empurrar as requisições de mudança de EVA para um projeto seguinte (que aliás, nunca foi aprovado).

É como eu sempre digo: Gerenciar projetos é fácil. O difícil é gerenciar os stakeholders e as mudanças….

Obviamente que não estou dizendo que os stakeholders são o problema. Muito pelo contrário. Eles são a solução. De modo geral, o sponsor patrocina o projeto para atender os stakeholders (talvez nem todos). O problema é não saber gerenciar os stakeholders, suas expectativas e solicitações de mudança.

Nos inspiremos Nele ao lidar com este assunto.

PS: Já se Deus fosse Program Manager, teria sido demitido por performance insuficiente devido ao Episódio da Maçã que ocorreu após o Projeto da Criação…. mas esta é uma outra história.

(*) Deus era Onipotente, Onipresente e Onisciente, não é isto?

Nota: Escrevo em formato de crônica e não necessariamente esta é minha real opinião. Tampouco pretendo que todos concordem com meu texto. Mas seria muito bom ver os comentários de vocês sobre o assunto.

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A crise e o Gerente de Projetos

Posted by eduardormaciel on July 7, 2009

Qual o impacto da crise na profissão de gestão de projetos?

Fiz esta pergunta há alguns dias, ao ler um blog de um americano desempregado.

Imediatamente comecei a pesquisar alguma informação e, apesar de não ter encontrado números oficiais, acabei com as percepções que relato abaixo.

Nos Estados Unidos, a crise desempregou um número enorme de gerentes de projetos. Ao pesquisar um pouco e navegar em alguns fórums, fiquei com a impressão de que devem haver mais gerentes de projetos desempregados nos Estados Unidos do que todos os gerentes de projeto empregados no Brasil.
É absurdo o número de pessoas postando que estão há meses (quase um ano) sem conseguir emprego na área de gestão de projetos. É comum encontrar pessoas altamente qualificadas contando que:

a) Seu projeto foi cancelado e todo o time remanejado, com exceção do gerente do projeto que foi “promovido ao mercado de trabalho”.

b) O orçamento do projeto foi comprimido e, consequentemente, o gerente de projeto foi descartado enquanto os técnicos foram mantidos.

Surpresos? Eu fiquei!

Acabei encontrando também o relato de um recruiter, comentando a situação do mercado post-reset(*), que tem pilhas de currículos de gerentes de projeto que ele não consegue recolocar, sendo que em momentos anteriores à crise um gerente de projeto valia seu próprio peso em ouro.

Quais as conclusões e especulações que podemos realizar ? (não são mutuamente exclusivas).

1) Uma possível causa: Apesar de reconhecer a importância da gestão de projetos, muitas empresas em dificuldades optam por deixar de lado essa prática para economizar custos e continuar a executar um projeto.
Esta é uma prática “aceitável”, mas por um curto período de tempo. Afinal, em situações emergênciais, ficar algum tempo sem o custo da gestão pode salvar o projeto. Quais as consequências? Se o projeto não estiver extremamente organizado (ou seja, o gerente de projetos estava fazendo um bom trabalho), existe um risco do projeto entrar em colapso por falta de gerenciamento, ou os custos por erros e equívocos da falta de gerenciamento aniquilarem o projeto de qualquer forma.

2) Outra possível causa: Existem tantos maus-gerentes-de-projeto, agregando tão pouco ao projeto que uma crise acaba por revelar o que em tempos de bonança é deixado passar. Vocês não concordam que se o gerente de projeto não consegue justificar sua NECESSIDADE em um projeto, este projeto não precisa de um gerente? Falo sério! O que ele faz lá? Entrou porque o processo diz que é necessário ter um gerente? Por força do hábito? Gerenciar tem um custo. Este custo deveria ser menor do que o custo de não gerenciar. Se um gerente de projetos não conseguir demonstrar isto, talvez o projeto realmente não precisasse de alguém fazendo somente aquela função. Ou pelo menos alguém tão caro. E eu acredito que lá no lado de cima do globo haviam muuuuitos projetos que não justificavam custos astonômicos de gestão.

Um parênteses: Sou defensor da classe dos gerentes de projeto. Mas não sou defensor da irresponsabilidade. É ela que derruba economias, empresas, projetos e em última instancia as pessoas e famílias. Se o custo de gerenciar é maior do que o custo de não gerenciar está errado! Já está sendo mal
gerenciado. Não esqueçamos que foi este princípio, da irresponsabilidade, que, extrapolado, gerou toda a crise. Fecha parênteses.

3) Mais uma possível causa: Milhares de projetos cancelados nos Estados Unidos. A América era uma “fábrica de projetos”. Ora, para empregar 200.000 PMPs mais algumas centenas de milhares de gerentes não certificados, é preciso que um em cada 400 ou 500 americanos seja um gerente de projetos. Alguém já havia pensado nisso?!?!?
Cancelando alguns milhares de projetos, acabamos com alguns milhares de gerentes-de-projeto sem espaço no mercado. Imagino o quão difícil deve ser, tanto para o desempregado, como para o empregado(que sonha/pesadela com o dia que chegará às mãos de seu chefe um currículo mais interessante e menos caro que o dele).

E no Brasil?

Houve uma certa conturbação no mercado. Especialmente nos primeiros meses da crise e do ano de 2009, mas sequer próximo do turbilhão que ouvimos falar.
Aqui, a “marola” deixou muita gente molhada e outros com medo de se molhar até agora, o que levou o mercado de projetos cair de ritmo. Mas não sei se chegamos a ter retração. (comentem)

Li em uma reportagem de uma grande revista brasileira, que uma pesquisa realizada pelo Ministério do Trabalho demonstrou que o trabalhador qualificado foi 6 vezes menos afetado do que o trabalhador não qualificado. Além disso, em já estamos recuperando o patamar pré-crise de número de postos de trabalho. Apesar disso, as ofertas de salário tem sido menores – algo que deve levar alguns meses para normalizar se seguirmos neste ritmo.

No fim, ainda nos saimos bem. Certamente porque o brasileiro sempre teve que lidar com projetos de maneira mais realista, mais enxuta, menos opulenta. Já dizia o antigo ditado que quanto mais se sobe, maior é a queda. Que sirva de lição para que não façamos isto o dia que o $$$ estiver sobrando.

Maciel

Nota: Escrevo em formato de crônica sem expressar todas minhas reais opiniões. Tampouco pretendo que todos concordem com meu texto. Mas seria muito bom ver os comentários de vocês sobre o assunto.

(*) The Great Reset: o evento que descreve o “novo” mundo que emerge da crise. Evento que na minha opinião, deveria ser chamado de The Great Wake-up. Afinal, já era hora mesmo do mundo acordar para a realidade.

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