Maciel's Blog

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A crise e o Gerente de Projetos

Posted by eduardormaciel on July 7, 2009

Qual o impacto da crise na profissão de gestão de projetos?

Fiz esta pergunta há alguns dias, ao ler um blog de um americano desempregado.

Imediatamente comecei a pesquisar alguma informação e, apesar de não ter encontrado números oficiais, acabei com as percepções que relato abaixo.

Nos Estados Unidos, a crise desempregou um número enorme de gerentes de projetos. Ao pesquisar um pouco e navegar em alguns fórums, fiquei com a impressão de que devem haver mais gerentes de projetos desempregados nos Estados Unidos do que todos os gerentes de projeto empregados no Brasil.
É absurdo o número de pessoas postando que estão há meses (quase um ano) sem conseguir emprego na área de gestão de projetos. É comum encontrar pessoas altamente qualificadas contando que:

a) Seu projeto foi cancelado e todo o time remanejado, com exceção do gerente do projeto que foi “promovido ao mercado de trabalho”.

b) O orçamento do projeto foi comprimido e, consequentemente, o gerente de projeto foi descartado enquanto os técnicos foram mantidos.

Surpresos? Eu fiquei!

Acabei encontrando também o relato de um recruiter, comentando a situação do mercado post-reset(*), que tem pilhas de currículos de gerentes de projeto que ele não consegue recolocar, sendo que em momentos anteriores à crise um gerente de projeto valia seu próprio peso em ouro.

Quais as conclusões e especulações que podemos realizar ? (não são mutuamente exclusivas).

1) Uma possível causa: Apesar de reconhecer a importância da gestão de projetos, muitas empresas em dificuldades optam por deixar de lado essa prática para economizar custos e continuar a executar um projeto.
Esta é uma prática “aceitável”, mas por um curto período de tempo. Afinal, em situações emergênciais, ficar algum tempo sem o custo da gestão pode salvar o projeto. Quais as consequências? Se o projeto não estiver extremamente organizado (ou seja, o gerente de projetos estava fazendo um bom trabalho), existe um risco do projeto entrar em colapso por falta de gerenciamento, ou os custos por erros e equívocos da falta de gerenciamento aniquilarem o projeto de qualquer forma.

2) Outra possível causa: Existem tantos maus-gerentes-de-projeto, agregando tão pouco ao projeto que uma crise acaba por revelar o que em tempos de bonança é deixado passar. Vocês não concordam que se o gerente de projeto não consegue justificar sua NECESSIDADE em um projeto, este projeto não precisa de um gerente? Falo sério! O que ele faz lá? Entrou porque o processo diz que é necessário ter um gerente? Por força do hábito? Gerenciar tem um custo. Este custo deveria ser menor do que o custo de não gerenciar. Se um gerente de projetos não conseguir demonstrar isto, talvez o projeto realmente não precisasse de alguém fazendo somente aquela função. Ou pelo menos alguém tão caro. E eu acredito que lá no lado de cima do globo haviam muuuuitos projetos que não justificavam custos astonômicos de gestão.

Um parênteses: Sou defensor da classe dos gerentes de projeto. Mas não sou defensor da irresponsabilidade. É ela que derruba economias, empresas, projetos e em última instancia as pessoas e famílias. Se o custo de gerenciar é maior do que o custo de não gerenciar está errado! Já está sendo mal
gerenciado. Não esqueçamos que foi este princípio, da irresponsabilidade, que, extrapolado, gerou toda a crise. Fecha parênteses.

3) Mais uma possível causa: Milhares de projetos cancelados nos Estados Unidos. A América era uma “fábrica de projetos”. Ora, para empregar 200.000 PMPs mais algumas centenas de milhares de gerentes não certificados, é preciso que um em cada 400 ou 500 americanos seja um gerente de projetos. Alguém já havia pensado nisso?!?!?
Cancelando alguns milhares de projetos, acabamos com alguns milhares de gerentes-de-projeto sem espaço no mercado. Imagino o quão difícil deve ser, tanto para o desempregado, como para o empregado(que sonha/pesadela com o dia que chegará às mãos de seu chefe um currículo mais interessante e menos caro que o dele).

E no Brasil?

Houve uma certa conturbação no mercado. Especialmente nos primeiros meses da crise e do ano de 2009, mas sequer próximo do turbilhão que ouvimos falar.
Aqui, a “marola” deixou muita gente molhada e outros com medo de se molhar até agora, o que levou o mercado de projetos cair de ritmo. Mas não sei se chegamos a ter retração. (comentem)

Li em uma reportagem de uma grande revista brasileira, que uma pesquisa realizada pelo Ministério do Trabalho demonstrou que o trabalhador qualificado foi 6 vezes menos afetado do que o trabalhador não qualificado. Além disso, em já estamos recuperando o patamar pré-crise de número de postos de trabalho. Apesar disso, as ofertas de salário tem sido menores – algo que deve levar alguns meses para normalizar se seguirmos neste ritmo.

No fim, ainda nos saimos bem. Certamente porque o brasileiro sempre teve que lidar com projetos de maneira mais realista, mais enxuta, menos opulenta. Já dizia o antigo ditado que quanto mais se sobe, maior é a queda. Que sirva de lição para que não façamos isto o dia que o $$$ estiver sobrando.

Maciel

Nota: Escrevo em formato de crônica sem expressar todas minhas reais opiniões. Tampouco pretendo que todos concordem com meu texto. Mas seria muito bom ver os comentários de vocês sobre o assunto.

(*) The Great Reset: o evento que descreve o “novo” mundo que emerge da crise. Evento que na minha opinião, deveria ser chamado de The Great Wake-up. Afinal, já era hora mesmo do mundo acordar para a realidade.

2 Responses to “A crise e o Gerente de Projetos”

  1. Carlos said

    Caro Eduardo,

    Estou terminando uma pós em gerênciamento de projetos, é o que vejo em minhas pesquisas de opotunidades no mercado é que gerente de projetos so existe na área de TI,(um poco de exagero) e o problema é que sou engenheiro mecânico.
    O mercado de trabalho brasileiro tem ou terá mais espaço para PMPs em outras áreas ?

    • eduardormaciel said

      Olá Carlos,

      Realmente, na área de TI o profissional de gestão de projetos é bastante necessário. Porém atualmente creio que exista ainda mais espaço na área de engenharia civil. Projetos de construção, ampliação, etc são os de maior volume atualmente no Brasil.
      Também vejo muitos projetos na área de engenharia mecânica. Talvez com menos expressão, mas é muito comum ver engenheiros (de várias áreas) gerenciando projetos de uma área diferente da sua.

      Neste momento, a expectativa é de que cada vez mais as empresas requisitem PMPs. A Pretrobras, por exemplo, só contrata fornecedores onde o Project Manager seja PMP.

      Algo que eu espero que ocorra em breve, é que as empresas menores acordem para a necessidade da Gerência de Projetos. “Projeto” é a melhor maneira(ou uma das melhores) de se gerenciar QUALQUER coisa em uma empresa. Obviamente que é necessário saber qual o nível de “burocracia” a ser utilizado(no bom sentido da palavra). Para um projeto pequeno deve ser utilizada uma metodologia leve. Para projetos maiores, é necessário mais controle. A vantagem dos projetos é a facilidade de medir resultados. Coisa que muitas empresas ainda não fazem ou fazem mal-feito. Já vi muitas empresas dizerem que “trabalhar por projetos não funciona” simplesmente por não terem colocado as pessoas certas para gerenciar a implantação do PMO, por exemplo.

      Mas em suma, é uma área em expansão no Brasil.

      Abraços,
      Maciel

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